Uma unidade canina não é simplesmente um cão que acompanha um segurança. É uma equipa preparada para trabalhar de forma coordenada, na qual cada membro desempenha uma função: o profissional dirige o serviço, analisa a situação e toma as decisões; o cão contribui com as suas capacidades sensoriais, mobilidade e uma presença com um importante efeito dissuasor.
Esta equipa é conhecida como «binómio canino». E a sua eficácia depende tanto do treino do animal como da relação que este estabelece com o seu guia.
Por trás de uma ronda, de uma inspeção preventiva ou de um serviço num grande evento, há muitas horas de seleção, socialização, treino e trabalho em equipa. Existem também normas, protocolos e uma responsabilidade muito clara: o cão complementa o vigilante, mas nunca o substitui.
O que é, exatamente, uma unidade canina de segurança privada?
Uma unidade canina é composta por uma ou várias duplas, cada uma delas formada por um cão de trabalho e o seu guia.
Quando participa em funções próprias da segurança privada, como a vigilância ou a proteção de instalações, o guia deve ser um agente de segurança habilitado. É ele quem dirige a intervenção e quem exerce as funções reconhecidas pela regulamentação.
O cão, portanto, não trabalha de forma autónoma nem possui capacidades próprias. É um meio de apoio especializado, tal como podem sê-lo determinados sistemas de comunicação, veículos ou ferramentas de controlo.
A legislação espanhola prevê expressamente a utilização de cães em serviços de vigilância. O artigo 75.º do Regulamento de Segurança Privada estabelece, entre outros requisitos, que os cães devem estar devidamente treinados e identificados, cumprir a regulamentação sanitária e ser conduzidos por vigilantes com experiência no seu manuseamento e utilização. O serviço deve, além disso, ser organizado de forma a evitar riscos desnecessários para as pessoas.
Dito de forma mais simples: não basta ter um bom cão. É necessário um animal preparado para a função, um profissional qualificado, treino conjunto e uma estratégia operacional adaptada ao ambiente.
A dupla canina: dois membros, uma única equipa
O conceito de binómio ajuda a compreender por que razão a relação entre o cão e o guia é tão importante.
Durante um serviço, o guarda observa o ambiente, orienta o cão, interpreta o seu comportamento e decide como agir. O animal, por sua vez, responde às instruções que aprendeu e contribui com as suas capacidades, de acordo com a sua especialização.
Esta coordenação não surge de um dia para o outro. O treinador precisa de saber como é que o seu cão se comporta normalmente: quando está concentrado, quando se distrai, se está cansado ou se algo mudou na sua reação habitual.
O cão também deve encontrar sinais claros e coerentes por parte do seu treinador. Uma forma de trabalho consistente ajuda-o a compreender o que se espera dele em cada momento.
Por isso, os melhores resultados não resultam apenas do treino individual. Surgem da confiança, da prática e da compreensão mútua que se desenvolvem ao longo do tempo.
Nem todos os cães são adequados para todas as tarefas
Não existe uma única raça nem um único perfil válido para qualquer serviço.
Na seleção, são tidos em conta fatores como o caráter, a estabilidade, a capacidade de aprendizagem, a motivação, a sociabilidade, a condição física e a adaptação à função prevista.
Um cão que vá trabalhar num espaço aberto ao público deve comportar-se com segurança perante estímulos muito diversos: veículos, ruídos, superfícies, movimentos inesperados ou aglomerações de pessoas. Na deteção, deve também ser capaz de manter a atenção e realizar uma busca de forma organizada.
Isto explica por que razão a preparação começa muito antes de se ensinar uma tarefa específica.
Da socialização à especialização
O processo costuma ser desenvolvido por etapas:
- Seleção e socialização. Avalia-se o temperamento e habitua-se progressivamente o cão a diferentes pessoas, sons e ambientes.
- Obediência. Aprende a responder a comandos básicos de posição, «fica», «vem» e a seguir o guia.
- Adaptação ao ambiente de trabalho. Familiariza-se com situações semelhantes às que irá encontrar durante o serviço.
- Especialização. O treino é orientado para a função pretendida, como o apoio na vigilância ou a deteção de determinados odores.
- Treino em conjunto. O cão e o guia treinam em equipa para melhorar a sua comunicação e coordenação.
A formação específica dos guardas que prestam serviço com cães inclui matérias relacionadas com o treino e a obediência, o manuseamento seguro, os cães de segurança, a deteção de explosivos, os cuidados básicos, a documentação sanitária, os primeiros socorros e a colaboração com as forças e corpos de segurança.
Treinar uma vez não é suficiente
A formação inicial é apenas o ponto de partida.
Um cão de trabalho precisa de treinar regularmente para manter a obediência, a concentração e as respostas aprendidas. O guia também deve atualizar os seus conhecimentos e verificar se a comunicação entre ambos continua a ser precisa.
Este treino permite detetar possíveis alterações no comportamento, na motivação ou na condição física do animal. Também ajuda a preparar a dupla para diferentes cenários, evitando que o seu desempenho dependa exclusivamente de situações demasiado familiares.
Os materiais corporativos do Grupo SICOR insistem precisamente nesta ideia: a reciclagem e a formação devem ser constantes.
Que trabalhos podem realizar?
As funções dependem do tipo de serviço, do ambiente, da especialização do cão e da regulamentação aplicável. No entanto, é possível distinguir duas grandes categorias: segurança e reação e deteção preventiva.
Segurança, vigilância e resposta
Neste contexto, o cão acompanha o vigilante e reforça a sua capacidade operacional.
Pode participar, por exemplo, em rondas em instalações empresariais, parques de estacionamento, recintos de grandes dimensões, zonas exteriores ou espaços com elevada afluência.
A sua mobilidade permite que a dupla percorra e supervisione áreas extensas. A sua presença também pode ter um efeito dissuasor, especialmente em serviços em que a visibilidade do dispositivo faz parte da prevenção.
Isto não significa que o cão decida quando intervir. O vigilante mantém, em todos os momentos, o controlo do serviço e deve agir de acordo com os princípios e protocolos aplicáveis.
Detecção preventiva
Os cães detetores são treinados para reconhecer odores específicos e indicar ao guia uma possível localização.
É importante compreender bem o que essa resposta significa: o sinal dado pelo cão é uma indicação que deve ser interpretada e tratada de acordo com um protocolo. Não se trata de uma prova autónoma, nem permite, por si só, atribuir um comportamento criminoso.
Na segurança privada, este tipo de duplas pode apoiar controlos preventivos em ambientes previamente definidos. Caso surja uma indicação relacionada com explosivos, estupefacientes ou outros elementos sujeitos a controlo, o segurança deve agir dentro das suas competências e solicitar a intervenção das Forças e Corpos de Segurança, quando for o caso.
Estas unidades também não devem ser confundidas com as da Polícia Nacional ou da Guarda Civil. Embora possam utilizar princípios semelhantes de treino canino, as suas competências e os seus protocolos não são os mesmos.
Onde é que acrescentam mais valor?
As unidades caninas podem ser integradas em diversos dispositivos de segurança:
- Instalações empresariais e industriais.
- Centros logísticos e armazéns.
- Perímetros e parques de estacionamento.
- Centros comerciais e grandes recintos.
- Concertos, feiras, espetáculos e eventos desportivos.
- Infraestruturas de transportes.
- Áreas aeroportuárias, desde que sejam cumpridos os requisitos específicos.
O essencial não é integrar um cão apenas para criar uma imagem apelativa, mas sim determinar que necessidade ele deve satisfazer, que especialização requer e como se irá coordenar com o resto da equipa.
Uma unidade canina revela-se mais eficaz quando faz parte de uma estratégia: vigilância presencial, responsáveis operacionais, procedimentos de comunicação e, quando necessário, sistemas tecnológicos a funcionar de forma coordenada.
O bem-estar também faz parte da segurança
Um cão cansado, stressado ou com problemas físicos não consegue trabalhar com a mesma fiabilidade. Por isso, o bem-estar não é um aspeto secundário: faz parte da qualidade e da segurança do serviço.
A gestão diária deve ter em conta questões como:
- Água e alimentação adequadas.
- Descanso e recuperação.
- Acompanhamento veterinário.
- Higiene e exercício físico.
- Identificação e documentação de saúde.
- Transporte seguro.
- Adaptação do trabalho à temperatura e às condições ambientais.
O guia desempenha aqui um papel fundamental. É ele quem observa o animal antes, durante e depois do serviço e quem deve identificar qualquer sinal que indique a necessidade de reduzir ou interromper a atividade.
A Unidade Canina do Grupo SICOR
No Grupo SICOR, contamos com uma Unidade Canina especializada que reforça os nossos serviços de segurança e alarga a capacidade de ação dos nossos guardas de segurança. A combinação entre a experiência do profissional e as capacidades do cão permite-nos oferecer uma resposta mais completa, preventiva e adaptada às necessidades de cada ambiente.
Dispomos de unidades de segurança orientadas para a reação e de unidades de deteção especializadas na prevenção de explosivos e estupefacientes, preparadas para prestar serviço em instalações empresariais e aeroportuárias, bem como em espetáculos e eventos.
A eficácia da nossa Unidade Canina assenta na preparação da dupla. Por isso, selecionamos cuidadosamente as nossas equipas e trabalhamos continuamente o treino, a coordenação e a confiança entre o cão e o seu guia. Uma preparação constante que nos permite manter um elevado nível de resposta e, ao mesmo tempo, garantir o cuidado e o bem-estar do animal.
Desta forma, integramos a Unidade Canina como um recurso especializado no âmbito dos nossos dispositivos de segurança, proporcionando uma maior capacidade de prevenção, deteção, reação e dissuasão sempre que o serviço assim o exigir.
Além disso, no âmbito da deteção de explosivos, as nossas duplas possuem acreditações anuais e trabalhamos em colaboração com a AESA e a Secção Canina da Polícia Nacional, reforçando a preparação e a especialização necessárias para operar em ambientes particularmente exigentes.
Um trabalho conjunto que começa muito antes do serviço
As unidades caninas chamam a atenção pela presença do cão. No entanto, o seu verdadeiro valor reside em tudo aquilo que não se vê à primeira vista: a seleção, o treino, a formação do agente de segurança, os exercícios conjuntos, os protocolos e os cuidados diários.
O cão contribui com capacidades excecionais, mas é o profissional que dirige, interpreta e decide. É essa combinação que faz com que ambos formem uma dupla.
Quando há preparação, coordenação e respeito pelo bem-estar do animal, a unidade canina deixa de ser apenas um elemento dissuasor. Torna-se um recurso especializado capaz de reforçar a prevenção, a vigilância e a resposta no âmbito de um dispositivo de segurança adaptado a cada contexto.

